Ambivalência

As máximas ‘Conhece-te a ti mesmo” e ‘Eu sou o que sou’, uma de cunho filosófico Socrático e a outra judaico religiosa, ambas em referência ao ‘ser’, talvez serviram de base a Freud na tentativa em dar cunho científico a sua análise da psique. Daí, o conceito de ambivalência como carácter com dois aspectos opostos talvez nos remeta a compreender o dilema humano, suas contradições e o reflexo na sociedade como um todo. A ambivalência emocional pensada por Freud seria fundamentada na fusão ou existência de face comum entre o princípio do prazer e do instinto de morte. Segundo o Dr Sigmund, no amor não haveria a superação da ambivalência, pois sempre haveria o risco de destruição daquilo que somos ligados, ou vulneráveis a sermos destruídos pelos que mais dependemos.
Em seu livro Além do Princípio do Prazer, Freud nos fala que o instinto de morte “é posto a serviço da função sexual”, e que “o princípio do prazer parece realmente servir ao instinto de morte”. Nesta premissa, os supõe “vigilantes contra aumentos de estimulação externa, tornando mais difícil a tarefa de viver.” Tais afirmações denotam o aspecto de oposição ou contraditório sobre tais relações (prazer e instinto de morte). Na verdade, os entrelaça supondo um a serviço do outro sem a prevalência ou primariedade de qualquer um deles. Trabalham em conjunto mas são distintos visando seus objetivos finais. A morte, pela visão científica freudiana seria um retorno ao inorgânico, contrária ao tempo que conhecemos e repetidamente quebrando as relações sociais que construímos ao longo do viver. Quando avaliamos de forma coletiva a visão freudiana, entendemos a ideia que normas sociais exigem que não coloquemos em ação todos os nossos desejos objetivando a gratificação, gerando aí, infelicidade. Daí, o conceito que os desejos inibidos criam comunidades e sua sublimação cria arte.
Em 1930 em o Mal-estar da Civilização, Freud desenvolve bem este conceito falando sobre a destrutividade visando desmantelar as formas sociais forjadas, segundo ele, em objetivos sexuais reprimidos, entendendo aí, família grupo social e nação. Nesta visão coletiva, surge a afirmativa que a civilização desmantelaria sua própria construção, destruindo o que alguém fez ‘ser’ e atacando a quem se ama. Os alvos seriam suas próprias criações trabalhando na direção contrária a orientação vigente ou a ideia de progresso. A visão freudiana vista em O Mal-estar da civilização de que a face moral da civilização é a vingança e as prisões suas instituições modelo, resultam da visão do psicanalista ao seu tempo vivido. A grande questão em torno disto tudo é saber se seremos capazes de nos inserir num ciclo virtuoso de viver e conviver independente do nascer ou morrer.

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