Cannabis S.A.

A natureza ensina que fatos vividos não são algo fixado em nosso existir via memória sem função necessária, servem de referência, dão base o afrontar do presente, queiramos ou não. Recordações passadas avisam que os ingleses tinham grande interesse comercial, por sua população, na Índia e China. Sabemos que o comércio baseado na oferta e procura mostrava o desinteresse chinês por produtos europeus, acarretando déficit comercial com os ingleses a seu favor; seda e porcelana em moda na Europa era a causa da questão, compensado pelos ingleses traficando ópio indiano à China. Por representar metade da exportação inglesa aos chineses, o ópio ameaçou a estabilidade social e financeira do país sendo proibido seu tráfico e consumo, resultando em duas guerras; quem não se lembra do filme 55 dias em Pequim ( ? ). A vida correu e hoje a China, por conta de ensinamentos passados, possui grande quantidade de títulos da colossal dívida americana dificultando o impor dos ópios da vida moderna.
Há que se pensar, no caso das chamadas drogas ilícitas, que o argumento ao direito de livre escolha e sua proibição teoricamente seria ferido. Convenhamos que algo para ser verdadeiramente livre deve ter mão dupla; livre para entrar e para sair, prejudicado aqui por conta da dependência (entendida como busca da sensação prazerosa inicial devido sua ausência nos eventos posteriores tornando as demais experiências ilusórias). Sem querer argumentar por efeitos do crack, basta ir nos guetos metropolitanos, ou a relação entre uso de cocaína e violência, o caso da maconha considerada droga leve deve ser pensado. Há grande lobby por sua liberação associando efeitos terapêuticos em doenças terminais buscando fatores positivos que dão base a argumentação favorável à sua liberação. A metodologia científica visa justificar efeitos positivos no tratamento de doenças como câncer e artrite, escondendo o verdadeiro interesse comercial, livrando assim do incômodo prejuízo visto nas apreensões; aos poucos avança sua aceitação social. Em se tratando de sociedade, a liberação do uso da maconha, da cocaína, das anfetaminas e outras drogas que causam dependência, deveriam ser ouvidos os que diretamente convivem com estes dependentes, ou seus familiares diretos, como esposas, filhos, pais, irmãos, e assim, contrapor ao avanço à aceitação.
Os usuários de maconha aceitam que além da dependência seu uso continuado leva a certo grau, segundo eles, de esquecimento. Aos mais cuidadosos, danifica a memória sendo este fato, mais problemático que a dependência propriamente dita. Em se tratando de memória, é a partir dela que se constitui a individualidade do ser, visto que por nossas lembranças nos moldamos e interagimos com a realidade. Pela memória estamos em contato com experiências vividas, e por tal, buscamos afrontar a realidade presente; esquecer não liberta do obrigatório interagir com a vida. Lúcido já é complicado viver, esquecido, pior ainda. Tudo, por uns trocados a mais !

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