O não observado

Partiremos da premissa que a realidade existe, negá-la ou ignorá-la não a extingue, nem muda sua posição ou coisa que o valha, apenas atrasa nosso interagir fazendo-nos flutuar na velha ilusão de ótica.
Quando interpretamos ou lemos sobre assuntos econômicos, utilizamos sempre de valores legais que são parte da realidade econômica de um país. Estudo europeu, já que por aqui parece não haver coisa semelhante, nos avisa que a economia ilegal em Portugal ou prostituição, tráfico de drogas, contrabando de álcool e tabaco, se computados, elevam inicialmente, a grosso modo, o PIB em 0,4% ou 660 milhões de euros; isto lá, uma economia considerada pequena. Caso haja uma consulta explícita, a elevação seria de 2,5% do PIB. A esta economia paralela, ilegal em sua relação com a economia formal, talvez melhor dizendo, concorrente, chamam de economia não observada. Vista por olhos mais apurados do Instituto Nacional de Estatística Português, impactaria em 13% do PIB do país irmão. O cunho prático desta ideia é que a União Européia, dentro dos critérios de avaliação econômica, passará contabilizar as atividades ilegais explícitas colocadas acima.
Em realidade, quando da forte crise de 1929 ou durante as duas guerras mundiais, com a desorganização da economia formal foi pela via da ilegalidade que o cidadão buscava fazer dinheiro florescendo atividades mafiosas de grupos. Lógico que a solução não é achar que o combate a esta atividade é perda de tempo, pois acabar com contrabando, tráfico de drogas e etc parece tarefa vã. Mas é imperativo colocá-los dentro de níveis toleráveis pela sociedade e economia formais. Talvez a solução fosse buscar um questionamento, pra que servem os governos (?), a resposta talvez fosse, organizar a sociedade visando o bem comum. Se esta ideia utópica atualmente prevalecesse um dia, a economia não observada seria irrelevante. Enquanto isso, o não observado avança sobre a parte meio organizada da sociedade ou governo e, via corrupção, cada vez mais ganha adeptos. Não faltará quem lave dinheiro visando dar fachada de legalidade à suas atividades ilícitas.

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