Corporações

A crise vivenciada por russos e ucranianos com a promessa do presidente russo em transformar a recém anexada Crimeia em nova Las Vegas, isto é, área liberada onde tudo pode desde que se pague o preço combinado, nos lembrou da guerra fria. Não é segredo a ninguém que a questão ucraniana decorre que metade de sua população fala ucraniano e metade russo. Por conta de serem civilizações antigas com raízes culturais distintas, livres, a coisa complica. Os anos de parceria comunista trouxeram para a Ucrânia grande afluxo de russos, contribuindo no grande avanço tecnológico dos campos militar ao espacial; no auge da guerra fria, a Ucrânia chegou a terceiro arsenal nuclear da terra. O fato novo nesta querela antiga e geopolítica é que, no passado, resolvia-se por via militar prevalecendo pontos de vista oficiais; o ingrediente novo são as grandes corporações.
Por conta do fim do comunismo formaram-se conglomerados europeus que entraram forte na Rússia e claudicaram boicotá-los em prol de governos transitórios. Parcerias econômicas parecem mais interessantes aos dois lados. O novo desta questão pouco resolvida na Europa foi o papel das grandes corporações com horror à instabilidades geopolíticas, que ao simples abalo, provocam fuga de capitais a portos mais seguros. Um exemplo foi que alguns players do gás quiseram diminuir seu preço visando aliviar a pressão sobre ucranianos. As sanções impostas aos russos por americanos irritou consórcios alemães que não quiseram tirar ativos de Moscou enfraquecendo posições de ambos os lados. A força dos russos parece ter sido o gás quando aumentaram sua exportação, no auge da crise, a Inglaterra em 40% novamente enfraquecendo posições políticas em prol de econômicas.
O presidente do Centro de Comunicações Estratégicas Dmitri Abzalov, diz que “os europeus, representados por companhias italianas, alemãs, francesas e holandesas, não pretendem abandonar o mercado russo. Os contatos militares com a França se expressam em sérios montantes e está claro que a Europa não pode concluir contratos militares com alguém à exceção da Rússia, porque a China, compra armamentos russos e a Índia – russos ou americanos. Ao mesmo tempo, o mercado russo é importante para companhias de metal mecânica (como a Volks), alta tecnologia (Siemens, Philips), energia e combustíveis (ENI, Gaz France) e etc. Naturalmente ninguém tem vontade em reduzir os principais vetores de sua atividade por causa de declarações políticas”. Talvez o peso adquirido por grandes corporações enfraquecendo posições governamentais seja o novo elo de apoio, que no futuro, dará mais equilíbrio as nações; o horizonte parece vislumbrar, com todos os seus defeitos, na crise ucraniana.

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