Fascínio

Recente polêmica na Argentina questiona a televisão sobre as chamadas narco-novelas, e se este tipo de dramaturgia pelo forte teor de violência seria um fator relevante ao seu incentivo, ou segundo alguns, de propagação de anti valores. Há quem argumente que o que se vê na televisão é reflexo do que acontece na vida cotidiana, pois televisão comercial busca público e não poderia usar de anacronismo para sobreviver.
Pablo Escobar veio forte na TV argentina, pelo estrondoso êxito, acendeu a luz amarela em vários setores do país irmão. El Clarin diz: “a narco-novela, polêmica ou não, continua sua expansão com produtos realizados basicamente na Colômbia e cadeias americanas de língua espanhola”; e mais ainda: “o narcotráfico gerou milhões de histórias surpreendentes e a TV as ignorava, quando começaram a contá-las à sua maneira, reagimos. O assunto é delicado: em cada linha, em cada personagem, temos que nos perguntar em que momento o traficante pode se converter em herói”. Já os colombianos dizem que “a Colômbia encontrou nas histórias reais de personagens conhecidos uma possibilidade concreta de contar a si mesma”.
A questão do tabu ou quebra de preconceitos na TV, pois é lá que está o maior público e teoricamente a maior capacidade de influência, deveria navegar ao que parece, na linha que limita entre a quebra do paradigma e a apologia ao costume. Entre nós, a TV mostrou de forma pioneira o beijo gay e seus conflitos buscando quebrar tal preconceito. Lembramos que os personagens eram ricos, econômica e socialmente bem colocados, com a transformação do vilão num ser que exercitava a compaixão ficando a culpa por conta do personagem feminino central. Pareceu jogar para baixo do tapete, gays acima do peso, velhos, pobres, travestis disformes ou personagens que vivem em nosso cotidiano, maioria no total, e certamente mais vulneráveis ao preconceito e violência; a linha que separa a apologia de uma ideia à quebra de paradigma é bem tênue.

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