Caserta

No dia dos avós comemorado como de São Joaquim e Santana, o Papa oriundo da periferia e de origem italiana foi a Caserta, e pela segunda vez, (a primeira foi um mês antes quando os excomungou publicamente) condenou a atividade mafiosa, no caso de Caserta, descarte ilegal de lixo tóxico. Caserta é a cidade de Roberto Saviano que escreveu Gomorra, um livro que trata da ação da máfia na região. Saviano explica que o assunto chamou a atenção com o caso Orsi como nos explica: “era um empresário líder do setor do lixo que ganhou milhões de euros com os clãs da Camorra”. Dono da empresa Eco4 pagava 15 mil euros a Camorra como pedágio para exploração do negócio de lixo tóxico.
Relembrando: Michele Orsi, 47 anos, sócio da empresa de coleta de lixo Eco4, vivia na cidade de Casal di Príncipe, 20 mil habitantes, província de Caserta próximo a Nápolis, área dominada pela máfia, e testemunharia por conta de relações mafiosas entre empresários, camorristas e funcionários públicos no negócio do lixo; foi assassinado. Orsi pagava imposto a máfia pois conseguiu contratos para eliminar o lixo em 18 localidades da região abrangendo 150 mil pessoas. Segundo Maurício Braucci escritor napolitano e co-roteirista de Gomorra, “Tinham contatos com políticos, com colaboradores do comissário especial que administra a emergência do lixo e com a Camorra. Era uma das pessoas chaves na diabólica rede de corrupção e clientelismo que se esconde atrás da emergência do lixo em Nápoles”, continua, “O problema nasceu em 1994, quando o governo Berlusconi decidiu que a emergência do lixo na Campania fosse administrada por um comissário especial nomeado por Roma, e não diretamente pela região. Grande número de entidades, empresas, consórcios privados e públicos dependiam do comissário. Essa imensa rede significava contratos de trabalho, clientelismo e votos aos partidos, por sua vez, corrupção”. Tudo começou quando nos anos 1980, a máfia napolitana descobriu o negócio: oferecer à empresas do norte italiano cuidar de seus resíduos tóxicos, levando-os ao sul. A Camorra começou a descarregar veneno nos depósitos normais. Lixo tóxico são dejetos agrícolas, hospitalares, enterrados com lixo doméstico e posteriormente queimados. Em 2012 tornou-se um negócio de US$ 1.4 bilhões conforme a Itália lobby ambientalista pois resíduos perigosos são mais lucrativos podendo custar até US$ 826 a tonelada. A Máfia oferece baixo custo, serviços de eliminação de resíduos por meio de trabalhadores ilegais evitando impostos via lavagem de dinheiro. Sem falar nos danos ambientais causado aos negócios legais regionais como produção agrícola e laticínios por exemplo.
Este esquema italiano também encontra-se entre nós no descarte do lixo com semelhante metodologia. Olhemos nossos lixos hospitalares, lixões, material de construção, agora, os restos de celulares e computadores com seu material tóxico liberado, sem falar do lixo atômico lá e cá. A solução encontrada por governos para se livrarem deste incômodo problema de forma mais barata, pela via da corrupção, parece mais em conta que a forma legal; assim caminha a humanidade, colonizadores e colonizados acumulando problemas aguardando solução.

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