Surrealismo

Quando o presidente do FED Ben Bernancke anunciou que poderia acabar com os estímulos à economia deixando de injetar os bilhões de dólares mensais, pela grita geral, nos descobrimos reféns. Posteirormente, Berrnancke disse que a recuperação era frágil e que o mais razoável seria seguir aplicando os respectivos. Todos viram o que aconteceu na primeira fala, isto é, dólar em alta e bolsas em baixa, mostrando a dependência do sistema financeiro na grana mole e a custo zero, constituindo um verdadeiro subsídio ao sistema financeiro. Todos sabem que os bancos pegam essa mamata nestas taxas e aplicam em bonus da dívida soberana com retorno de 4 ou 5%; beleza Bernancke. Taí o grande negócio visando sanear o prejuízo dos ativos tóxicos e falência, dito por alguns, as custas do desemprego e perda salarial por lá; falam que desde 1989 (24 anos) os ganhos corporativos chegam a 59% e os financeiros 42%.
Como disse Nell Irwin do Washington Post “uma família típica americana ganha hoje menos que em 1989, produto da devastação que significou a crise aos trabalhadores. Fica claro que para o FED e governo americano os ganhos dos bancos são mais importantes que o das pessoas e a saúde do sistema financeiro é mais valiosa que os equilíbrios sociais”. Moral da história, descontados os dez bilhões da retirada gradual, 75 bilhões de dólares em papel verde servem como dinheiro real na troca por lixo tóxico em empréstimos hipotecários e derivados financeiros, resultado da desregulamentação iniciada em 1989.
Atrelados a isto estão os europeus com o euro e seu tendão de Aquiles, nivelando por decreto, ricos e pobres. Parece vir com a crise do Chipre o que o ministro das finanças da Holanda disse, e depois desmentiu, que o confisco de depósitos neste país seria modelo para futuros resgates de bancos europeus. Tal proposta visa colocar a responsabilidade das perdas bancárias sobre investidores, credores e depositantes de bancos, já que os fundos públicos parecem não suportar resgatar os bancos; a solução é partir para o confisco dos investimentos privados. Trocando em miúdos, os governos asseguram depósitos inferiores a 100 mil euros, e o resto, fica cada um por si. Nesta onda estão Polônia, Itália, já chegando ao Canadá e Nova Zelândia. No caso do Chipre no Laik Bank, o confisco foi de 4,3 bilhões de euros de 14 000 clientes. Está em fase de aprovação na UE um plano visando obrigar os possuidores de bonus e acionistas a financiarem com fundos privados futuras quebras. Todos estão curiosos em saber como se comportarão os americanos, e se este mecanismo, evitará a quebra maciça do sistema bancário. Enquanto isso, ficamos reféns e morrendo de inveja dos donos da máquina de fazer grana.

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