Pausa matemática

O Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC) deverá até outubro de 2014, em quatro etapas, mostrar seu diagnóstico mais completo sobre as mudanças climáticas. O que está em andamento é o quinto desde 1998 confirmando que trata-se da ação humana sobre a terra, a intensificação de fenômenos extremos (frequência das ondas de calor), incluindo aí, uma revisão da alta do nível do mar e degelo glacial. Sobre o papel do IPCC Tim Nuthall da Fundação Europeia para o Clima diz: “o IPCC é a pedra sobre a qual repousa a mudança climática e toda a sua política. Se converterá no novo guia estratégico, como o foi o quarto informe” (publicado em 2007).
Talvez a grande vedete desta reunião seja a confirmação que, desde 1998, o rítmo do aquecimento global tem sido 0,05ºC por década, temperatura inferior aos 0,12ºC registrados desde 1951. Várias explicações estão sobre a mesa, desde a influência de partículas vulcânicas refletindo raios solares, queda da atividade solar e a absorção do calor pelos oceanos. Parece perigosa e bastante significativa tal afirmativa, considerando que tal estudo abrange quatro cenários possíveis até 2100, e em 2015, haverá em París uma conferência internacional sobre o tema.
Devemos considerar que modelos que estudam o clima são baseados na teoria do Caos, em que quantidades pequenas podem determinar grandes alterações no sistema regido por leis muitas delas desconhecidas, diferente de um sistema anárquico ou aleatório, regido por nenhuma lei. Atentemos ao fato que leis que não conhecemos bem não significa sua inexistência, nos levando a confundir sistema caótico com anárquico. Isto é dito para que a chamada pausa na aceleração do aquecimento, deveria ser vista como pausa matemática consequente a ação de outras leis agindo no sistema promovendo tal resultado, já que estímulos ao aquecimento só parecem aumentar.
Tal constatação é bastante perigosa, pois deverá levar a um enfraquecimento da resistência quanto a chegada forte ao Ártico para a exploração de petróleo, e na extração do gás do xisto na Europa bastante refratária pelos impactos ambientais. Talvez a ciência esteja inconscientemente dando margem aos combustíveis fósseis em prol da energia renovável, até aqui, com problemas de escala e lucratividade. Termino com o alerta de Al Gore no Le Monde: “os acontecimentos meteorológicos extremos vinculados à crise do clima se tornaram demasiados intensos e frequentes para serem ignorados”.

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