Adolescência

Países subdensevolvidos que optaram pela legalização do aborto, acabaram por transformá-lo em meio contraceptivo; constatação não hipócrita, livre de discussão ética. Ninguém questiona o segredo da China com mais de um bilhão de habitantes mantendo a política de um filho por casal; a resposta é simples: os novos ricos vão ter filhos no exterior, e os pobres, submetidos a forte sistema de controle piramidal, na qual cada rua possui uma representante do partido controlando o ciclo mentrual das vizinhas, daí o sucesso; no descontrole, a solução é imediata e precoce. O caso mais emblemático é Cuba, em moda pela excelência em saúde pública, ideológicamente expandida na América Latina. Lá, o aborto é legal, e deu no jornal, que tal liberdade gerou um novo problema de saúde: o aborto como contraceptivo em adolescentes cubanas.
Elucubrando: gestantes de 15 a 19 anos têm alto índice de abortos em suas histórias clínicas, as que abortam são treis vezes mais das que levam a gestação à termo. Estatisticamente são 76%, e segundo o médico Jorge Pélaez, “aparentemente o aborto evita o problema, mas cria muitos outros. Nunca será a solução à gravidez na adolescência”. Em 2006, de cada 1000 adolescentes de 15 a 19 anos, 45 foram à termo (deram a luz). Em 2012 essa relação subiu para 54 em 1000 forçando uma taxa média em toda a ilha em 80 por 1000. A solução cubana para o aborto nos remete a 1961 em que Instituições de Saúde começaram esta prática com autorização governamental visando evitarem complicações e sequelas de abortos clandestinos. Em 1979, a interrupção voluntária foi despenalizada. Atualmente, Cuba é considerada um país de baixa natalidade com adolescentes contribuindo em 16% da fecundidade total. Não está em questão, mulheres adultas casadas ou não em idade fértil que ficam com o restante da estatística.
O Comitê para Eliminação da Discriminação Contra a Mulher das Nações Unidas, em julho passado, observou que Cuba apresenta “alta taxa de abortos, especialmente entre meninas de até 12 anos de idade” solicitando “incrementar métodos anticonceptivos e educação sexuial adolescente”, já que todo o peso recai sobre a adolescente e sua mãe a quem é dado a última palavra. Segundo o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) 40% dos abortos inseguros praticados no mundo são em adolescentes e jovens pela gravidez precoce. Na América Latina e Caribe 10% das jovens são mães, com prática do aborto legalizada em 4 países, e pela baixa qualidade do serviço oferecido, constituem a maior causa de morte nesta faixa etária.
Entre nós aqui na Belindia, o aborto legal decerto favoreceria a classe média usuária de planos de saúde que não mais necessitariam de clínicas clandestinas ou mesmo arranjos burocráticos à sua prática em hospitais gerais.Enquanto os pobres estariam a mercê dos servições públicos ou da ilegalidade, quem sabe, chantageados visando drenagem à clinicas legais.

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Uma resposta para Adolescência

  1. AntimidiaBlog disse:

    O grande problema do aborto é a visão cristã sobre ele. Não consigo entender que direito tem o Estado ou a Igreja de proibir uma mulher, o no máximo o casal, de tomar uma decisão que envolve somente eles. Não é questão de método contraceptivo ou de controle populacional, é querer ou não ter um filho. Realizar um aborto com até três meses nem de longe é um assassinato, e sim uma decisão pessoal. Discussões sobre o aborto envolvem mais moralismo e hipocrisia do que ética e medicina.

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