Democracia relativa

Em agosto passado, os jornais escandinavos Aftenposten (Noruega), Dagens Nyheter (Suécia), Helsingin Sanomat (Finlândia) e Politiken (Dinamarca), enviaram carta aberta ao primeiro-ministro britânico, questionando seu governo a respeito de ameaça à liberdade de expressão via meios de comunicação. Tal questionamento, decorre da detenção do companheiro do jornalista do Guardian, Glenn Greenwald, que revelou espionagem por parte da Agência Nacional de Segurança Americana (NSA). O problema é que o serviço secreto inglês, pediu ao diretor do Guardian que destruísse dos seus discos rígidos, informações dadas por Edward Snowden antigo agente da NSA.
Tal precedente é visto comumente em países como China e Iran cujos agentes estatais exigem tal procedimento, e tal qual ingleses e americanos, em nome do estado e sua segurança. Segundo o diário sueco, o ocorrido “corre o risco de minar a liberdade de imprensa no mundo inteiro”. O Dagens Nyheter, em Estocolmo, fala em “defesa da liberdade de imprensa” . O Aftenposten, em Oslo, diz que “ficamos profundamente desapontados, por um país com uma forte tradição de liberdade, ignorar todos os seus princípios para combater o terrorismo”, considerando como os demais, que tal fato assemelha ao dos países autoritários contra seus meios de comunicação, que ousam desafiar o monopólio das autoridades sobre o poder. O que está em jogo aqui é o conceito de democracia relativa, muito forte no eixo anglo americano, convergindo com Rússia, China e associados, sob a ideia de colocar no centro do estado, a segurança, prevalecendo sobre a Democracia. Num espectro bem amplo, o cidadão é livre, relativamente, desde que não ameace a atividade estatal em seus tentáculos.
Estados ou governos têm o dever de colocarem no centro, o povo, que não concede a ninguém sua liberdade, direitos e deveres, isto resumido na palavra Democracia. O conceito de democracia relativa está bem evidente na forma como o estado americano age nas várias questões que a sociedade deste país exige. Quanto ao ingleses, nos mostram como respondem sua inserção na União Européia, em que não conseguindo prevalecer, passam ao descompromisso.
Para concluir, ficam as palavras de Jesse Jackson, a propósito do cinquentenário do discurso de Luther King, “I have a dream”: “hoje temos a liberdade, mas não a igualdade”. Dito num cenário de democracia relativa em pleno mandato de Obama. Democracia, ideia que ainda verá um longo caminho a ser percorrido.

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