Efeito colateral

Teria sido uma grande hipocrisia da parte dos europeus, caso o atual arrocho a seus concidadãos, deixasse à margem um filão de privilegiados que protegem suas granas nos paraísos fiscais. Assistimos o caso de Chipre, que com o confisco, penaliza principalmente os endinheirados russos que lá colocavam sua graninha livre de qualquer aborrecimento. Agora pipoca o caso do indiciamento da filha de sua majestade da Casa de Bourbon e do ministro francês, lógicamente fato desconhecido da presidência.
Essa introdução serve para ilustrar a notícia vinda da Europa que revela o funcionamento do sistema mundial de evasão fiscal, acusando principalmente Cingapura onde se concentram a maioria das empresas fantasmas, apelidado de Offshore Leaks. A questão é que o jornal francês Le Monde publicou o resultado de ampla investigação sobre a evasão fiscal, promovida por 86 jornalistas de 46 países acessando 2,5 milhões de documentos de empresas sediadas nas ilhas Cayman e Cingapura; isto é o Offshore Leaks.
Os resultados práticos são os seguintes: os acionistas das empresas offshopre são dentistas americanos, filhos de ditadores, russos endinheirados, pessoal de Wall Street, traficantes de armas, ricaços asiáticos e europeus, e não poderia faltar, uma empresa do programa nuclear iraniano. O Le Monde continua dando nome aos bois como o BNP Paribas e o Crédit Agricole, e a empresa pMonde. Continuou com mais bois como Imelda Marcos Manotoc, Robert Mugabe e um ex ministro mongol Bayartsogt Sangajav.
Para terminar, a ONG Transparency International avisa que são em torno de 50 paraísos fiscais com cerca de 2 milhões de empresas fantasmas e dois terços dos 2 mil fundos especulativos que existem aí. O detalhe é que o vilão da crise grega e cipriota são estes fundos especulativos, dito pelo Banco Mundial, e que acarretaram um prejuízo de 1,5 bilhão de dólares ao ano.
Como vemos, algumas coisas parecem evidentes; a ação da imprensa livre e responsável européia, que não poderia deixar oculta uma ferida no sistema financeiro, em que grandes players apostaram na grana suja em prol de uma minoria. Agora se arvoram de forma moralista arrochando o cidadão comum na Europa e querendo penalizar a turma da periferia. Não poderiam ficar incólumes e apesar de extremamente fortes, há necessidade de coragem no enfrentamento deste grave problema. Espera-se que seja o início de um processo de reforma do sistema financeiro, e convenhamos, nós brasileiros também fazemos parte; não sejamos ingênuos.

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