Essência

Daniel Innerarity autor de “A sociedade invisível”, nos dá a visão de um mundo complexo cuja legitimidade está sob suspeita levando à ideia de que a realidade é uma “montagem”. Do ponto de vista do autor, nota-se um mundo de manipulação e simulação, sendo que aquilo que é verdadeiramente real, vira obsessão, crescendo a insegurança num mundo cada vez mais seguro. O autor nos leva a questionar a realidade, inclusive nossas relações pessoais, em que o real se apresenta em dualismos entre o ser e o que realmente é, entre o que é insignificante e as exceções fundamentais.
Neste contexto de sociedade, estão a guerra, o território, a comunicação, o medo e a economia que deixaram de ser o que eram, conforme nos explica, dizendo que a “distribuição do poder é mais volátil, a determinação das causas e de responsabilidades é mais completa, os interlocutores são instáveis, as presenças são virtuais e os inimigos difusos”. Os Estados perdem as competências tradicionais a nível econômico, onde multinacionais operam sob a égide de um mercado global e não tanto dentro de um Estado. O detalhe aqui é o caso do País Basco, por exemplo, que estabelece relações com o exterior sem a ingerência do governo central da Espanha. No caso do cidadão, explica que “tem que estar um pouco para além de si próprio e do seu espaço nacional” deixando de lado parte da nacionalidade e adquirindo uma cidadania mais abrangente.
Quanto aos políticos, Innerarity declara que “a celebridade é mais importante que a competência”, que para entreter o público, acertam discussões visando preservar a boa imagem que se torna esssencial. A conclusão da exposição de Daniel é que apesar da invisibilidade, incerteza e confusão do mundo, este mostra-se fecundo em oportunidades a serem aproveitadas visando sua melhoria.
Dentro desta ideia de Innerarity, Vint Clerf considerado um dos pais da internet por ter participado da criação dos protocolos TCP|IP, nos mostra que há uma nuance a ser observada em relação àquilo que ajudou a criar, isto é, a Internet. Nos alerta sobre uma leve confusão que se estabelece diante da importância a ser dada ao instrumento fruto de sua criação e que o mundo recebeu com grande benevolência, afirmando que o acesso a web não pode ser considerado como um dos direitos do homem ou um direito fundamental. Deve ser sim, um instrumento visando concretizar alguns desses direitos quando fala que: “A tecnologia é uma forma de aceder aos direitos, mas não é ela própria um direito”; continua seu raciocínio dizendo que “A base para algo ser considerado um Direito Humano é bastante elevada. De forma simplista devem estar nesta lista coisas essenciais a uma vida saudável e com significado, como a liberdade de consciência. É um erro colocar uma determinada tecnologia nessa categoria, até porque ao longo dos anos temos valorizado coisas erradas”.
Tal qual na “Sociedade Invisível” de Daniel Innerarity, a forma intensa como tecnologias ou nuances do mundo atual nos apresentam, podem levar a uma confusão de valores e pesos equivocados em nossas opiniões, muitas vezes, confusão esta, já vista anteriormente com certa frequência. Mudar é ajustar corretamente nossa ótica sobre a vida; termino com Antoine de Saint Exupéry: “O essencial é invisível aos olhos”.
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