Cidadania e escravidão

A ativista e investigadora de trabalhos infantis da ONU Sumaiya Khair, denunciou que particularmente no Sul da Ásia, principalmente Bengladesh, Índia, Paquistão e Nepal, centenas de crianças e adultos estão trabalhado no campo forçados por seus patrões a pagarem dívidas, e que esta forma de escravidão continua muito comum e ignorada pela maioria das pessoas.
A escravidão tem sido ao longo da história humana um método de obter trabalho barato subjugando o outro pela violência, e em determinados períodos, usando diversos motivos. Na antiguidade eram os derrotados em batalhas, situação esta, em que a  escravidão passava aos filhos por laços de sangue. Evoliu para a cor da pele principalmente no continente americano, sendo o fator racial também visto em outras culturas como motivo para subjugar o outro e explorá-lo.
A chamada forma moderna de escravatura está no tráfico de mulheres crianças e adolescentes para fins sexuais, cujos dados apontam que todos os anos, milhares de vítimas desta modalidade de escravatura são levadas de um país a outro ou mesmo internamente dentro dos países. O tráfico é a ponta do iceberg de um processo de violência contra os chamados direitos sexuais dos seres humanos incompatível com o princípio da igualdade entre os sexos. O fator agravante deste processo no seu todo é a pobreza que expõe ao risco a parte mais vulnerável deste processo, as mulheres e os adolescentes, presos na cilada do lucro cuja parte do leão fica com poucos.
A Ong Cecria com apoio da OEA realizou pesquisa em que nos mostra a gravidade da questão de exploração sexual de cunho comercial e suas relações com o crime organizado e redes internacionais. Segundo a pesquisa, existe no Brasil 241 rotas de tráfico para fins sexuais sendo 131 internacionais 78 interestaduais e 32 intermunicipais. No Nordeste está a maior concentração e destino das rotas internacionais com nítida liderança para a Espanha seguida da Holanda Venezuela e Itália.
Atualmente surge um motivo com a modernidade que é o acúmulo de dívidas, porque o mais fraco já vem em uma situação difícil e que o próprio patrão tem interesse em subjugá-lo sufocando em dívidas. Diga-se de passagem, mais evidente no campo, aparecendo com força cidades ou guetos mais empobrecidos e subjugados pelo crime organizado. Este, a custa de pequenos favores ou pequenos impréstimos, e com juros cobrados de forma aleatória e escorchante, impossibilitam o pagamento das dívidas contraídas muitas vezes em situações de extrema dificuldade, sob o manto do silêncio e mêdo, pois se as pessoas conhecem não falam. Pensando bem, o ‘Principio da troca de favores e da igualdade de ações ou reciprocidade’ não é de forma velada a mesma coisa?

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