A Memória dos mercados

A história tem nos ensinado que países que foram ao default, imediatamente foram isolados dos mercados como párias sociais visando serem exemplos para que outros não os seguissem. O fato é que em consequência do fechamento a eles das portas ao crédito, ocorreu uma desvalorização brusca das respectivas moedas dando as estes inadimplentes um grande poder de competitividade, como o recente caso argentino que levou cerca de dois anos para se recuperar com forte crescimento. Parece que o acontecido repetiu-se com a Rússia em 1998 e o Equador em 2000.
Um estudo dos economistas espanhóis Eduardo Borensztein y Ugo Panizza em 2008, mostra que o caso grego seria mais complexo pela sua inserção no euro, mas em caso de calote deste pais e talvez sua exclusão, o impacto sobre eles não seria superior a dois anos. Caso esta regra seja mesmo válida e se a Grécia no começo da crise se retirasse do euro dando o calote em 2008, já estaria em situação melhor da que está hoje pois certamente teria melhor competitividade com sua moeda desvalorizada, e os mercados por terem curta memória já estariam de novo olhando-a com bons olhos.
Segundo estes economistas num estudo de 180 anos envolvendo defaults entre 1824 e 2004, todos sobreviveram aos castigos impostos pelo mercado nas respectivas épocas, e após dois anos em média, já estavam em franca recuperação como demonstraram os casos acima de Rússia, Argentina e Equador. Abaixo os principais defaults:
1824 (Espanha) 1826/1828 (Argentina, Grécia, Chile, México, Brasil Colômbia, Guatemala, Venezuela e Equador) 1833 (México) 1837 (Espanha e Portugal) 1868 (Áustria) 1870/1890 (Argentina, Chile, México, Colômbia, Perú, Turquia, Bolívia, Uruguai, Venezuela) 1932/1945 (Áustria, Alemanha, Itália, Grécia, Hungria, Colômbia, Brasil, Japão, China, Turquia) 1989  (Argentina) 1998 (Rússia e Ucrânia) 2000 (Equador) 2001 (Argentina) 2004 (Coréia do norte)
O que ocorre e sempre ocorreu é que os agentes financeiros internacionais capitaneados pelo FMI, defendem com força os credores privados impondo aos países endividados receitas restritivas a nível salarial incluindo os aposentados, aumento de impostos e cortes de gastos conforme assinala o Nobel Joseph Stiglitz.
Segundo este economista é quase consenso que governos da Alemanha e França trabalham para defender os interesses de bancos privados nacionais fazendo forte pressão sobre governos fracos e em bancarrota dos países em vias de default. Há que aceitar também, que no caso europeu, houve como em outras partes do mundo uma forte discrepância salarial entre os trabalhadores, associado a altas remunerações de executivos dos bancos e grandes empresas, provocando graves distorções. Na verdade trata-se de um pseudo liberalismo que se encaixa na teoria dos sentimentos morais de Adam Smith quando diz: “Não concebo um mundo onde a produção econômica se dedique a procriar maior desigualdade” tal qual ocorreu nos últimos anos culminando com a voz discordante das ruas.

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