Volta ao Passado

Os livros de história nos ensinam que lá pelos idos do século XVIII não era um costume muito popular tomar chá na Inglatera, costume este, que mudou em meados do seculo XIX. O problema é que o chá que começava a ser apreciado entre os súditos de sua Majestade era comercializado pela companhia indiana East India Company, sob controle inglês, que o importava da China.
O fato é que os chineses não comercializavam produtos ocidentais e consequente ao aumento do consumo de chá na Inglaterra, a balança comercial pendeu para o lado chinês, quer dizer, exportavam quase tudo e compravam quase nada. A consequência disto foi que em meados do Século XIX grandes quantidades de ouro e prata iam a caminho da China para pagar a conta do chá.
Em face ao grande problema acima, a East India Company começou uma grande produção de ópio, lógico que com o apoio dos britânicos, e buscaram introduzí-lo na China para solidificar por lá um novo mercado: quer dizer, comercializar ópio por chá, até que lá pelos idos de 1840 o ópio era um grave problema chinês.
Como todos sabemos, a China é uma nação milenar e seu imperador iniciou um forte combate a esta prática, evidentemente buscando defender seu povo de uma ameaça que estava vindo do exterior. Sua principal atitude foi destruir os armazéns britânicos nos portos do sul da China expulsando-os de lá. Lógico que os ingleses não gostaram, sendo esta questão o estopim do início da guerra do ópio vencida com facilidade pelos ingleses. Pelo acontecido, os britânicos obrigaram os chineses a manter por anos um mercado de chá por ópio ficando Hong Kong até 1999 em mãos dos súditos de sua Majestade.
Como podemos ver são águas recentemente passadas pois estão a mais ou menos 150 anos de distância de nós, mas os métodos, as formas de comércio e o relacionamento entre nações estão aí presentes até nossos dias. O binômio droga/violência sempre foi uma questão entre povos no passado e no presente. O Afeganistão pós taliban, sem querer defender ou combater mas apenas observando o fato, tornou-se depois da invasão ocidental por lá, um grande centro de produção da papoula cujo resultado final além do ópio chama-se heroína. Pelas nossas terras latino americanas, assistimos as Farc tentando formar uma área liberada independente do governo central, com uma fachada política, visando fortalecer o comércio da coca. Sem evidentemente deixar de lembrar que os bolivianos preferem o valor agregado dado pela cocaína do que a comercialização do chá de coca, lógico, tudo regado a extrema violência. É o passado que sempre volta.

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