Endividamentos

Segundo especialistas no assunto, em tempos de paz nunca houve um endividamento tão elevado dos países como os produzidos a partir de 1980, sendo o exemplo mais emblemático os Estados Unidos, endividamento este, que ameaça a estabilidade política compromentendo a vida econômica e futura, dele e de associados. Segundo Agências de risco, os atuais níveis de endividamento levam a crer que estamos no limiar da próxima crise global.
A realidade é que quando no passado se falava dos perigos do elevado endividamento dos países, imediatamente havia um rechaço destas ideias, com acusações de anti mercado. No atual momento observa-se governos se endividando como paliativo contra a crise que os atormenta, e enfrentando dificuldades com os mecanismos de crédito em geral, pois todos sabem que a solução é demorada podendo chegar a uma década para se normalizar, se normalizar, a situação.
Segundo experts do ramo, para se evitar o desastre global, haveriam oito soluções viáveis propostas para o problema: elevação de impostos, restrição dos gastos, incremento do crescimento, taxas de juros mais favoráveis, produção de inflação, provocar guerra, buscar ajuda externa e governar por decreto. Evidentemente que todas as opções acima durante o correr da história já foram de uma forma ou de outra incrementadas, sendo a mais desejável, o crescimento. Infelizmente a forma mais corriqueira encontrada pelos governos endividados para enfrentar o problema é o financiamento dos gastos com empréstimos, inviabilizando investimentos a nível sustentável, isto é, que podem ser pagos. Desta nefasta situação decorrem o pior dos efeitos colaterais que é o desemprego e os desequilíbrios da economia.
Na União Europeia prevaleceu a ideia protagonizada pelas cabeças privilegiadas do conceito de Convergência que nunca na prática se materializou. A Covergência, segundo especialistas, foi a chave para a implantação do euro no velho continente em que os salários e a produtividade convergeriam gradativamente na zona do euro, o que nunca aconteceu, pelas graves discrepâncias salariais por lá. Utopias a parte, vivemos não só na Europa mas nos países ricos em geral, problemas com a dívida, desemprego, e baixo crescimento com deflação, sendo estes ingredientes, os eventos principais da evolução da crise com fortes cortes por parte dos governos penalizados.
Na verdade, quando do instalar da crise em 2008 a ideia simplista de injetar liquidez na economia faria com que os mercados se recuperassem e chegassem a níveis pré crise, o que na verdade, aconteceu em parte, porque o principal problema não foi sanado, isto é, foi mandado para frente. Para se ter uma ideia mais específica sobre a evolução da crise europeia, diremos que no caso espanhol, até 1980 sua dívida era levemente superior ao PIB e a dívida das empresas não financeiras responsáveis por 57% do endividamento total, e o setor financeiro, respondia por 11% do PIB. Em 2009 este mesmo setor financeiro espanhol chegou a 82% do PIB, isto é, em nove anos sua dívida cresceu 750%, enquanto a dívida pública espanhola baixou de 63% para 56% do PIB. Durante a década do euro no velho continente, pode-se concluir que a empresas financeiras multiplicaram em 366% seu endividamento, passando de 74% para 141% do PIB.
Estes dados são para afirmar com toda a segurança, que a crise europeia e americana são muito mais complexas e de difícil equação que os mais iludidos possam imaginar, decerto, com alguns respingos por aqui. Que estejamos alertas e cientes, não para solucionar a crise que a eles apavora, mas sim, para nos defendermos diante a dura realidade que nos afronta.

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