Sobre eles, pouco se fala

Pouco se fala dos ciganos, etnia de espírito viajante sem uma noção concreta de propriedade geralmente constituindo leis próprias, primando principalmente pela liberdade, preservando a autonomia e unidade familiar em torno da qual a comunidade  se organiza.
No velho continente os ciganos foram associados ao nomadismo e preconceituosamente criminalizados, conforme registra Nicolae Gheorghe dizendo: “O fato é que a grande maioria dos ciganos da Europa Central e do Leste está sedentarizada e os seus membros são cidadãos dos respectivos países; não tem nada a ver com esses estereótipos nômades”. O termo nômade, foi usado na antiga URSS na década de 1930 visando impedir itinerantes ciganos de se moverem com liberdade, usado na segunda guerra para justificar as deportações e atualmente nas deportações promovidas pela França.
Os ciganos europeus sofrem forte xenofobia na Romênia cuja mentalidade em se livrar deles provém desde a segunda guerra. A xenofobia romena agrava-se visando interesses na UE conforme declara Nicolae Gheorghe: “A migração maciça de ciganos desde a entrada para a UE serviu a uma finalidade similar, retirando os ciganos das comunidades locais.” Na verdade este país terá uma face cigana por volta de 2050 pois enquanto a taxa de natalidade dos romenos é de 1,3 crianças por mulher, as de etnia cigana é treis vezes mais. A situação dos ciganos na Romênia será similar a dos hispânicos americanos que em breve ultrapassarão os brancos nos EEUU ou dos árabes israelenses em Israel.
Outro exemplo de xenofobia européia contra os ciganos está na Polônia, em que segundo Roman Kwiatkowski da associação cigana polaca, em que diz:“nenhuma outra minoria na Europa é tão discriminada como os ciganos. A sua situação começa a assemelhar-se à dos judeus antes da II Grande Guerra.” O jornal polaco Gazeta Wyborcza descrevendo restaurantes de Poznan declara em sua manchete: “Menu só para polacos” referindo-se a proibição da etnia cigana nos restaurantes locais.
Pela própria organização em tribos dos ciganos, ocorre extrema dificuldade em conseguir fundos da UE visando melhorar sua situação econômica, principalmente na Romênia, segundo a ONG romena Agentia Impreuna dizendo: “falta vontade política na Romênia para melhorar as condições de vida dos ciganos”, o que decerto deverá se agravar com o suceder dos anos.
Pouco se fala sobre esta etnia, como por exemplo, que mais de uma terço de sua população foi dizimada em campos de concentração nazistas, proporcionalmente muito maior que o holocausto judeu. Com o passar dos anos, nos vais e vens da vida, eles continuam sobrevivendo entre dificuldades, sem que deixem, como sempre fizeram, e apesar de todo o estigma, de oferecer um sorriso cigano de alegria e um olhar em profundidade a quem interessar possa.

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Uma resposta para Sobre eles, pouco se fala

  1. Olá, bom dia!
    Acessem o site http://www.saudadeeadeus.com.br/depoimento01.htm e leiam a linda homenagem que fizeram ao meu filho Vitor (in memorian), vítima de câncer aos 12 anos de idade, onde publicaram sua história, escrita por ele mesmo durante sua enfermidade.
    Vitor foi um exemplo de vida a muitas pessoas, pois em momento algum reclamou de sua enfermidade.
    Peço que repassem o site a familiares/amigos, pois tem sempre alguém precisando de exemplos de vida.
    Fiquem com Deus!
    Amaral/Viviani (pais do Vitor).

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