Afinal, os Tratados!

Em 14 de junho de 1985 próximo a cidade de luxemburguesa de Schengen foi assinado um tratado inicialmente entre França, Bélgica, Alemanha, Luxemburgo e Holanda, com posterior adesão dos demais países, estabelecendo os passos ao que seria posteriormente o Espaço de Schengen. Através de um documento adicional criou a Convenção de Schengen em que no chamado Espaço de Schegen seria livre a circulação de pessoas, isto é, desnecessária a apresentação de passaporte nas fronteiras entre os países signatários, desde que devidamente documentado.
A partir de então, todo cidadão teria livre circulação na UE, lógico entre os signatários do tratado, daí surgindo o nome de comunitários. A livre circulação pelo Espaço de Schengen sempre foi problemática se agravando através dos anos pelo avanço da extrema direita consequente à crise econômica e aumento da xenofobia por tabela. Internamente o problema se complicou com o inchaço da UE, principalmente pela adesão dos países do leste, sendo a Bulgária rechaçada pela França que atualmente faz pressão contra os romenos.
Diremos que o estopim de tudo foi a crise humanitária do norte africano oferecida pelo amigo da extrema direita europeia chamado Muammar Kadafi, que provocou uma leva de refugiados primeiramente tunisianos que falam francês e de outras etnias.
O porto mais próximo do norte da África é a ilha italiana de Lampedusa que encharcou o governo de norte africanos, sendo em sua maioria tunisianos com a pretensão de encontrar parentes na França. A questão é que o Premiê italiano concedeu a vaga de imigrantes recém chegados, visto temporário dando direito a residência na Itália e enquadrando-os no espaço de Schengen, o que provocou uma grave crise diplomática com a França, que desrespeitou o tratado colocando barreiras em suas fronteiras.
O fato é que a vaga de liberdade no Norte Africano provocou um efeito colateral inesperado que foi a guerra da Líbia, que pela proximidade com a Itália, acarretou um grave problema humanitário. A associação ao avanço da extrema direita xenófoba e a crise econômica, colocou em xeque a livre circulação dos chamados comunitários. Na verdade tratados são construídos e negociados, devendo ser desfeitos também de forma negociada, sem querer defender sua permanência ou não. Parece que a revisão do tratado proposta pelos grandes, visa dar novos parâmetros a UE decerto escutando as vontades dos respectivos povos e suas tendências, isto é, supõe-se que a opinião pública europeia quer a revisão do mesmo.
O Jornal ‘La Tribune’ diz: “Tudo começou em Roma, com o tratado fundador de 1957, que garantia as quatro liberdades europeias: livre circulação de bens, serviços, capitais e pessoas. E é em Roma que se começa a desmanchar o trabalho comum de duas gerações de europeus”, tal dito, na verdade reflete uma importante mudança de rumo que se apresenta.
O jornal de esquerda francês Libération refletindo sobre o sentido do Espaço de Schengen diz: “um progresso histórico e um avanço democrático, que continua atravessado na garganta dos nacionalistas e dos políticos oportunistas de todos os quadrantes, que sonham em recuperar, na primeira oportunidade, os velhos atributos da soberania dos Estados-nação”.
Na verdade cada um sabe aonde aperta seu calo, mas fato é que a Primavera Árabe parece não só trazer mudanças entre os islâmicos mas também entre os europeus; se para melhor ou pior, o tempo dirá.

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