Islândia Novamente

Sob risco de exclusão da comunidade internacional ou longo processo envolvendo Grã-Bretanha e Holanda, a Islândia com suas peculiaridades ambientais e populacionais, segue trajetória de recuperação de sua economia abalada com a crise de 2008, que culminou com a atitude de seu governo em deixar falir os bancos nativos com prejuízos aos investidores dos países acima envolvidos.
O ressurgimento da economia islandesa, segundo especialistas, baseia-se nos seguintes parâmetros: a desvalorização da moeda nacional em torno de 40% permitindo exportações de alumínio e peixe, impactando positivamente nas contas governamentais. A Islândia ainda atordoada pela sua quase falência, não mergulhou numa austeridade forçada ao contrário da tendência verificada no continente, optando por demorar um pouco mais em efetuar seu “ajuste fiscal”; assim, alguns projetos continuaram avançar.
Outra questão foi a aplicação do princípio “too big to save” (demasiado grande para ser salvo) em detrimento do princípio europeu e americano de “too big to fail” (grande demais para falir) que ao contrário dos grandes, permitiu a falência dos treis maiores bancos da ilha, limitando-se a comprar ativos internos que são os empréstimos particulares e das empresas locais, deixando o resto por conta da dureza do mercado. Por fim optaram por uma austeridade menos severa através de um pacto entre políticos e sociedade, visando buscar a estabilidade social, evitando cortes nos setores mais fragilizados. Evidente que nem tudo são flores, mas fato é, que este país retorna ao crescimento de 3% para uma população de 320 mil habitantes, é verdade, com aumento de exportações, apesar do grande endividamento familiar e queda do consumo em torno de 20% e com taxas de desemprego beirando 7%.
A questão islandesa envolve o fato de que com a crise de 2008, o banco Icesave com ativos no exterior, acabou por falir deixando uma dívida de 4 bilhões de euros para fundos de pensão ingleses e holandeses. Em consequência, o presidente do país convocou plebiscito para 2010, prontamente negado pela população se devia ou não arcar com os prejuízos do banco. Posteriormente novas negociações foram iniciadas e com novo acordo em condições bem mais favoráveis ao contribuinte do país, que em plebiscito em 09 de abril último voltou a dizer não.
Pelo segundo acordo, a dívida seria paga até 2046, e com a negativa do contribuinte islandês, o conflito deverá passar ao tribunal da Autoridade de Fiscalização da Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) que regula as relações econômicas da Islândia com a União Europeia, o que certamente dificultará sua entrada na UE. Segundo Thorgerdun Asgeirsdottir, um típico cidadão deste país, demonstrando bem o que pensa o cidadão comum islandês: “Não tive culpa nenhuma nestas dívidas, não quero que os nossos filhos tenham de pagar por elas. Prefiro que isto seja resolvido em tribunal”.
Os parâmetros de avaliação da economia e do bem estar do povo ainda são os velhos PIB e déficit público, que ao evoluírem positivamente, dão base aos governantes falarem em melhoria da situação, abrindo um fosso enorme entre a classe política e os cidadãos que lutam para recomeçar quase do zero após a falência de 2008. Lógico que no futuro precisarão criar novos parâmetros mais realistas, visando medir o bem estar do povo que não pode ficar restrito à índices econômicos.
De fato ainda há grandes turbulências decorrentes a atitude em não bancar o prejuízo dos bancos e com risco de futuro incerto. Na verdade isto leva a procura de uma alternativa diferente, e talvez mais justa, em resolver a grande questão que se coloca entre o Capitalismo que serve para usufruir lucros, deixando ao socialismo, isto é, o estado, bancar a conta dos prejuízos; perverso a todos os povos em questão.

Anúncios
Esse post foi publicado em geral e marcado , , , , , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s