Resíduos Nucleares

Como todos sabem, a indústria nuclear nas suas vertentes militar, energética e médica, descarta material radioativo que é depositado pelo mundo todo em vários lugares e conhecido pelo inconveniente nome de lixo nuclear.
O Jornal belga De Morgen apresenta como manchete o seguinte: “A Bélgica volta a importar resíduos radioativos”, avisando que o governo interino belga autorizou a empresa Belgoprocess a importar da Alemanha, 120 toneladas de resíduos de material proveniente do setor médico contaminados por radiação, visando incinerar, evento este que não altera a taxa de radioatividade do produto obtido, e devolvê-los à Alemanha onde deverá ser armazenado. Isto tornou-se relevante pois em 1998 ocorreu um escândalo neste país, envolvendo material radioativo, importado, reciclado, e posteriormente devolvido a sua origem.
Outro caso sobre resíduos nucleares é originado na mina alemã de Asse onde estão colocados 126 mil barris com material nuclear, que deverão ser retirados pois o local está inundando e já se observam os primeiro sinais de fuga radioativa. O problema alemão encontra eco, pois a partir de 2020 a mina corre o risco de colapso sem que se conheça as reais condições dos barris e seu exato conteúdo, sabendo-se em agosto de 2009 que havia 28 quilos de plutônio por lá. Segundo o Frankfurter Rundschau trata-se de “uma escolha entre a peste e a cólera” e que a respeito do tempo de execução diz: “início da operação: incerto. Duração: cerca de 10 anos. Custo: no mínimo, dois bilhões de euros”. O interessante nisto tudo é que na Alemanha as empresas nucleares não são obrigadas a dividir as despesas decorrentes ao lixo nuclear.
Outro caso interessante no que diz respeito a este incômodo assunto é o que nos revela o jornal francês Libération, em que 13% do material radioativo produzido na França é abandonado ao ar livre no complexo atômico de Tomsk-7, constituido por uma cidade de 30.000 habitantes na Sibéria. Segundo declaração do jornal, “Ali, todos os anos, desde meados da década de 1990, 108 toneladas de urânio empobrecido procedentes das centrais francesas são deixados em containers, arrumados num grande parque de estacionamento a céu aberto”. Importante dizer que a França, segundo o mesmo periódico, é um dos raros países nuclearizados a procederem a reciclagem do seu material nuclear, por se tratar de uma indústria com 96% de capacidade de reciclagem.
Como podemos observar nos casos apresentados acima, nada foi feito a força ou sem o conhecimento e concordância das partes envolvidas, seja pelas indústrias privadas do ramo, seja pelos governos dos países envolvidos, e cujas condições não são fiscalizadas por nenhuma das partes. O que acontece é que quando se torna um problema que não pode mais ser empurrado à frente, tomam providências visando minimizá-lo, já que os prejuízos ou despesas não ficam com os causadores, pois sendo empresas privadas evitam gastos que possam diminuir os lucros.
Na verdade procura-se pensar em atividades perigosas, aqui nuclear, visando usufruir ao máximo os bônus da atividade e retardando também ao máximo os invitáveis ônus. Assim caminha a humanidade.

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Uma resposta para Resíduos Nucleares

  1. Big Lui disse:

    Engraçado que um pepino desses o povo quer importar para o nosso país. Poxa! Tudo bem que este países de clima temperado não tem outra alternaltiva se não a nuclear, mas aqui!?

    O Brasil tem várias maneiras de consegui energia, a nuclear devia ser a última opção.

    PS: Desculpa se o meu comentário por ventura tiver disvirtuado ao tema da postagem, mas foi o que entendi.

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