Aqui e Lá

Os oito anos do governo passado tiveram uma caracteristica muito favorável em termos democráticos, pois foram anos em que mais SIM do que NÃO foram ditos e portanto menos quantidade de descontentes houveram. Mas como tudo na vida, estamos agora em um governo que se inicia com necessidade de se dizerem mais Não do que SIM, menos pelas características de personalidade de nossa Presidenta e mais por contingências mundiais e locais que obrigam a esta postura. Para a democracia, de fato é mais vantajoso quando se fala SIM do que NÃO, dá-se uma impressão de estabilidade, em que todos aparentam alegria com o regime democrático, que na verdade, estão contentes com os resultados à suas demandas.
O problema torna-se mais complexo exigindo uma postura mais madura, de todos, a que chamaremos de ‘visão de estado’ ou ‘atitude de estado’, quando diante uma crise, se alinham ao governo em épocas de vacas magras. Tudo fica mais difícil quando sonhos são derrubados e retorno de investimentos feitos em duras campanhas eleitorias são cortados. Um exemplo prático disto chama-se Portugal, país irmão que nos deu o que de mais caro temos: a alma Lusitana. Própria de nossos povos, aqui mesclada com os de outras terras, mas que em sua essência, permanece a mesma; somos principalmente o povo de Camões e Pessoa.
Levados pela cilada que abateu os mais pobres do velho continente, vivendo moeda de ricos refletindo com falsos padrões de riqueza oriundos do mercado de capitais, nossos patrícios e irmãos viram-se diante a mais cruel das realidades: quando chega a hora de pagar a conta. Não fica pedra sobre pedra, nada sobra, e se a democracia não estiver sóbril e estabilizada, um sentimento de culpa e cobrança abate sobre o país levando a um suceder de eventos negativos dificultando a solução da querela.
Lá em terras de Camões com um sistema parlamentarista de governo, o abandono do barco deixando-o a deriva acaba por se resolver com a mudança do Primeiro Ministro ou mesmo convocação de novas eleições, visando dar ao novo governo a legitimidade de fazê-lo com todos sabendo das dificuldades, mesmo sem ter a culpa de ter provocado o sinistro. Portugal passa por momentos delicados em que devemos observar, pois do sofrimento das vacas magras ninguém está livre; nem nós.
O Jornal protuguês ‘Público’ fala da sua visão ao problema consequente o envio ao parlamento de PEC visando arrochar mais ainda a vida portuguesa, agravada pelo fato de que a nação do sul ainda tem acertos com a UE e necessita mostrar união interna para se fortalecer diante do público externo, diz o seguinte em relação à Bruxelas: “Mas aquela gente é louca. Nós, aqui, a fazer um esforço tremendo para encontrar uma solução que vá ao encontro daquilo que eles precisam e eles dão um tiro na cabeça”.
As consequências da rejeição no parlamento português do novo arrocho, encontra ainda um agravante maior que se chama reação dos mercados, com consequente elevação das taxas de juros da dívida e rating da República portuguesa, justamente no momento em que há necessidade de empréstimos de 10 bilhões de euros imediatos fora do pais e para um  resgate total em torno de 75 bilhões.
Os eventos nomeados acima não são de exclusividade portuguesa, todos devem notar e saber que qualquer um pode estar dentro destes eventos. Entre nós, há necessidade como até aqui se tem procedido, nos cortes governamentais que decerto não são toda a solução possível, temos muitos e gravíssimos problemas a enfrentar nos próximos quatro anos, convivendo com o chamado Cisne Negro ou o ‘Inesperado’.
Decerto está aqui a oportunidade da classe política brasileira, mostrar serviço, tentando melhorar sua abalada imagem de corrupta e parasita, despertando desconfiança na grande nação do sul; isto é, nós. Evitarem crises ou mesmo tomarem medidas sérias para ao menos amainá-las, já que algumas são inevitáveis, deve ser atitude de todos e risco da nação.

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