O Grande Salto

De um modo geral diríamos que a vida tem por característica maior o inesperado, formando ao lado da incerteza a condição que nos leva ao formato que damos ao viver, sendo que o maior inesperado é o grande salto ao desconhecido, ou a morte a que todos estaremos sujeitos. Vivemos dando saltos ao inesperado, uns mais, outros menos, dependendo do apego material, coragem interior ou do conjunto de imagens que acumulamos no inconsciente, que volta e meia afloram à superfície, e com isto, determinam a intensidade que reagimos em relação à matéria; tudo se resumirá na palavra medo. Sob o ponto de vista coletivo, não é absurdo pensar que grandes catástrofes sempre tiveram forte impacto na consciência humana, acarretando num futuro imediato consequências e mudanças de rumo.
A história recente humana está cheia de exemplos da relação entre grandes catástrofes e consciência humana. Sob este prisma diremos que a batalha de Stalingrado entre Hitler e Stalin, com vitória do segundo, impactou fortemente nos nazistas quebrando sua vontade vencedora e enfraquecendo a resistẽncia militar alemã no enfrentamento à aliados e russos. Outro fato decorrente a isto foi o alto número de baixas russas, impregnando tais perdas no inconsciente nacional e associadas ao expurgo stalinista, provocaram a estagnação da URSS.
O desastre de Chernobyl pela sua extensão e danos ao inconsciente humano, influiu fortemente na vontade da cúpula soviética e certamente apressou o fim do regime ou diminiu sua resistência à Perestroika. Fatos recentes desapercebidos pela sua ação inconsciente, como o genocídio de Srebrenica, impactaram no comportamento europeu em relação ao desastre da segunda guerra e reascendeu o pânico judaico com a xenofobia ainda não totalmente cicatrizado, se é que cicatrizou. A provocação iraniana em relação aos judeus, entenda-se aí, vai muito nesta direção pois sabem da dificuldade dos israelenses em relação a segunda guerra e exacerbada no massacre muçulmano com conivência holandesa.
Diremos que o 11 de setembro marcou com força inconsciente americano com medo de ataques externos, pois está muito recente o avanço japonês em Pearl Harbor, dando força e palco a que George Bush levasse um país com dificuldades de adaptação à globalização, a enfrentar duas guerras sem quase nenhuma resistência popular. Guerras estas, diga-se de passagem, econômicamente muito caras aos cofres americanos, ingnorando presságios da grave crise econômica que se avizinhava, mas incapazes do recuo. Tudo diante da inércia inconsciente coletiva de uma nação e medo.
Estamos aí em um momento crucial ao vivo e a cores de uma catástrofe nacional, envolvendo um povo intensamente traumatizado  pela bomba atômica e com reflexos em seu inconsciente. Além do desastre natural surge o desastre nuclear, associado a um país em dificuldades financeiras pois défcit público entre ricos é quase consenso. As consequências no inconsciente nacional japonês e em sua capacidade de superar coletivamente ao desastre é um desafio imenso. Fato é que governos que de uma forma ou outra que estiveram envolvidos em desastres, reagem dentro de um modelo emocional se justificando a seu eleitorado interno. Na verdade é uma forte reação emocional inconsciente de difícil avaliação na capacidade dinâmica de seguir em frente. Por este conjunto de eventos, suspeitamos que corremos o grave risco de inércia coletiva e estagnação no Japão com reflexos no mundo moderno. O tempo dirá.

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Uma resposta para O Grande Salto

  1. Flávia disse:

    Bom dia,
    Domingo entrei num estacionamento de um Shopping de BH e de repende me dei conta que estava em pânico. Imagens de desabamento ficaram em minha cabeça, estamos muito longe de terremotos mas nada impede os abalos.
    Tentei me acalmar, sentei e almoçei mas sem coragem de ir ao estacionamento fui a pé para casa.
    Não sou dessas pessoas que tem medo nem panico, mas ao ler o artigo percebi que grandes catástrofes sempre tiveram forte impacto na consciência humana, acarretando num futuro imediato consequências e mudanças de rumo.

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