Negócio de Confiança

Parece que tornou-se uma febre a ideia de que tudo se resume a mero negócio, ou, o que interessa mesmo são os resultados que devem estar acima de qualquer prerrogativa. Baseados nesta ideia, governos buscam nos resultados sua atividade básica, lógicamente tendo como objetivo principal, o sucesso que se mostra na prática através da vitória nas urnas visando sua perpetuação. Dentro desta premissa, quando surgem crises, poderíamos dizer que os resultados obtidos foram um fracasso, quer dizer, o inferno está cheio de boas intenções. Aí ocorre o efeito manada e todo mundo abandona os respectivos governos, indo ancorar-se na oposição como se nada tivessem com os resultados obtidos.
No intuito de colocarmos a cabeça no lugar, observamos que se as crises ocorrem e se não foram pela má administração governamental do inesperado, pois não surgiram da noite para o dia, decorrem de uma percepção equivocada da realidade. Portanto há necessidade de se promoverem atitudes consideradas adversas ou impopulares, pagando um preço eleitoral ou de popularidade buscando amenizar efeitos de possíveis crises. A panacéia de apanhar grana no mercado de capitais mostrou-se ilusória, ignorando uma lei básica do capitalismo ‘a de que este evolui por crises’. Inesperado mesmo são as intempérides climáticas, mesmo assim, não todas.
O jornal inglês Guardian publica uma série de reportagens sob o título “Nova Europa” com uma chamada interessante sobre o cidadão comum europeu, dizendo:  “Os europeus são liberais, ansiosos e não confiam nos políticos”, que na visão do seu editor chefe Alan Rusbridger, a pesquisa visa “conhecer melhor nossos vizinhos”. Segundo o semanário inglês, a enquete foi realizada no  Reino Unido, França, Alemanha, Polônia e Espanha, e mostra uma Europa “confiante nos seus valores liberais e ainda muito comprometida com as instituições da UE”, mas desconfiando de seus dirigentes. Somente 6% dos entrevistados confiam nos respectivos governos, 46% confiam pouco e 32% não confiam; 9% acham que os políticos europeus atuam honestamente e de forma íntegra, cujas preocupações econômicas, segundo o estudo, revela que “no total, 40% dos inquiridos pensam que sua economia vai piorar nos próximos 12 meses, contra 20% que dizem que vai melhorar”. Para concluir, os estudos apontam uma perspectiva sombria na qual os europeus querem o euro como moeda, cabendo maior entusiasmo aos espanhóis, seguidos pelos franceses, e que os alemães, mostram-se intensamente preocupados com a Grécia.
Como vemos em síntese, diremos que a Europa tem dúvidas em relação à sua classe política, que entre nós, seria bastante razoável dizer que os brasileiros teriam dúvidas em relação as suas lideranças políticas ou que achem em sua maioria, que elas atuariam de forma pouco honesta ou íntegra; isto, extrapolando os resultados de lá para cá em vista dos acontecidos entre nós que são protagonistas.
Como vemos, se pensarmos em relação ao Brasil e as relações com nossos políticos, e se considerarmos que crises não acontecem da noite para o dia, seria no mínimo prudente pensar que um dia mais cedo ou mais tarde, caso nossos políticos não mudem a ideia que a população tem a seu respeito, não se surpreenderão com crises que possam ocorrer. É só lermos os jornais, assistirmos televisão e de quando em vez irmos à internet. A credibilidade de um governo só tem uma oportunidade de ser testada: na hora da crise. Inventar novas siglas partidárias parece não ser a solução.

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