Um Longo Caminho

Há sim uma longa estrada a ser percorrida pelos países que estigmatizaremos como islâmicos, até que cheguem ao que poderíamos chamar de democracia dentro dos nossos padrões. Baseados na ideia de que democracia se constrói no dia a dia, vivendo a realidade, expondo ideias e fraquezas, vencendo barreiras e preconceitos.
Transformando ideias em prática, diremos que pesquisas indicam que 59% dos egípcios preferem a democracia à tirania, entenda-se aí como democracia a escolha dos governantes pelo voto majoritário. Diremos que 80% dos muçulmanos defendem o castigo ao adultério com apedrejamento e concordam com a pena de morte para quem abandona a religião islâmica; aí a vaca democrática berra.
Se basearmos que democracia seja a vontade popular ou pelo menos da maioria, diremos que os padrões de democracia para os muçulmanos incluem o apedrejamento, a pena de morte a quem abandona a religião e outros senões que simplesmente os colocam em oposição aos parâmetros chamados ocidentais. Talvez o mais simples seria a igualdade de sexos ou submissão feminina que de cara afrontaria o islamismo a nós ocidentais, mas se acreditarmos que democracia é o reconhecimento dos direitos individuais fica aqui um difícil questionamento.
O grande problema das sociedades cuja influência religiosa acontece quase que de forma absoluta, misturando com a legislação laica, torna-se confusa a relação entre religião e estado; como fazer para retirar o que consideramos barbárie sob o ponto de vista individual e separá-lo do Corão (?), e pior, acharmos que os crentes muçulmanos concordarão com o Ocidente (?). Por sua vez, como nós ocidentais estaremos confortáveis em aceitar tais questões como normais entre eles (?), tornando-se também um problema de difícil equação.
Pew Reserch um prestigioso instituto de pesquisa nos indica que os resultados da pesquisa no Egito, se parecem na Jordãnia e Paquistão sendo que a Nigéria os muçulmanos que apoiam ao que consideramos violações dos direitos humanos supera em pouco os 50%; o detalhe aqui é que parecem países com raças diferentes, digo, culturas gerais diferentes.
Ravier Roy e Gilles Kepel experts em islamismo, acreditam que devemos distinguir entre o conservadorismo popular de um lado e os que querem que estes valores se convertam em pilares estatais de outro. Segundo um artigo publicado no jornal francês Le Monde dizendo que a islamização da sociedade, desatou uma corrente individualista que assume a confissão e as práticas de cada um como algo inteiramente privado; talvez aí um alento aos ocidentais.
Para concluir, diremos que nos últimos 30 anos cresceu esponencialmente a islamização da sociedade no Oriente Médio e norte da África. Diremos que segundo a mesma pesquisa, os egípcios (85%), os jordanianos (76%), os nigerianos (82%) e os paquistaneses (69%) consideram a influência islâmica na política benéfica, deixando a porta aberta para que o estado se coloque a serviço de práticas consideradas incompatíveis com os direitos humanos.
Como podemos ver, há um longo caminho a ser percorrido e derrubar governos só não basta. Fico aqui.

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