Renúncia

A vaga de liberdade assolando o norte africano mostrou características muito peculiares em cada país devido as próprias individualidades nacionais. O caso egípcio por ser o país de maior população e de maior importância no equilíbrio de forças, chamou a atenção pelo desfecho. O presidente deste país ao longo dos seus trinta anos no poder, decerto se equilibrou as custas de acordos, indicações pessoais ou de grupos nos cargos e com domínios setoriais que permitiram ao longo do tempo sua permanência. O agravamento da situação criaram impasses interno e externo pelos acordos que possibilitariam este equilíbrio de forças e o medo presidencial de que a situação se deteriorasse passando de caótica à anárquica com sua saída; daí a relutância em renunciar. A palavra renúncia significaria passagem de poder a outro representante por desistência espontânea do seu exercício até o fim, figura esta que manteria seus acordos e que novos acordos se instalariam consequente à mudança de poder. O problema é que sempre ao terminarem governos, terminam em muitos casos o ciclo de determinados personagens dentro da esfera política, e nos casos em que assumiram por golpismos fica difícil sua entrega espontânea. Podemos portanto dizer que o presidente egípcio pressionado pela impossibilidade de continuar ficou numa situação muito delicada, e portanto, as vésperas do anúncio de sua renúncia foi à televisão para anunciar compromisso com as demandas populares, porém reafirmando sua intenção em permanecer até o final, provavelmente visando manter situações que por ventura temia perder. Fato é que no dia seguinte com o anúncio do vice presidente de que o mandatário teria renunciado, mostra que não utilizou os instrumentos até então usados por todos aqueles que renunciam: ir aos meios de comunicação e ler um comunicado anunciando à nação sua decisão, mostrando que provavelmente foi retirado do poder por grupo dominante que se comprometeu em atender as demandas populares. Está aí o grande dilema nacional com uma tênue linha separando militares egípcios das demandas populares, que deverão ser respondidas até as eleições, caso ocorram livres ou não, transparentes ou fraudulentas, que saberemos na data de sua realização. Parece que para as gerações de políticos que assumiram o poder via golpes de estado nos países emergentes, vide América Latina inclusive, gostam do clamor popular para sua introdução no poder mas não gostam das vozes das ruas para sua retirada, daí a grande dificuldade de remoção de governos autoritários como foi entre nós.

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