Moderna Escravidão

O escritor Euclides da Cunha concebeu um personagem chamado do Judas Ahsverus em que associa a figura de judas o traidor com a do judeu errante que vive a vagar  pelo mundo. O  personagem visava representar o seringueiro que no sábado de aleluia  monta um boneco representando ele próprio, colocando-o numa barcaça para descer o rio Purus. O personagem idealizado por Euclides tinha o intuito de denunciar a escravidão submetida ao  seringueiro.
Segundo ele, o nordestino que ia para os seringais em busca de melhoria de vida, começava a se endividar na viajem, tudo era creditado pelo patrão, e ao chegar ao seringal, recebia o burro e mantimentos, para depois de semanas na mata, receber quantia irrisória pela borracha retirada.
Portanto sua dívida sempre crescia transformando-o em escravo, isto é, aquele que pagou para se escravizar, pois na visão Euclideana, esta era a situação vivenciada pelo seringueiro. O arquétipo ou imagem mental criada por Euclides está bem vivo e presente em nossos dias, não só na figura relatada do seringueiro, mas dos boias frias que retiram cana por empreitada, muitos deles, submetidos a situação escravizante.
Talvez o mais grave em se tratando daquele que paga para se escravizar, estaria nos grandes centros,  representado pelos adolescentes que se envolvem com o tráfico de drogas, viciando-se no seu consumo sem poder manter o vício adquirido por pressão do traficante. Com isto torna-se  um escravo, não só da droga mas também do patrão, pois como no caso dos seringueiros, tudo é computado tornando-se uma dívida impagável e muitas vezes paga as custas da própria vida.
O fato é que nossa sociedade parece continuar injusta e violenta como no início do século vinte ou talvez pior, pois a dramática vida dos seringais está presente hoje nos grandes centros ou no campo mais desenvolvido. Na verdade, não é um problema conjuntural mas do homem que adquire uma situação de vantagem.
Vivemos na realidade o que sempre vivemos no passado, o homem explorando o homem visando o máximo possível a si. Somente quando houver uma transformação do pensamento humano, daqueles que se encontram em vantagem e submetidos a leis que funcionem, teremos o avanço social que tais questões pedem, e quem sabe, poderão ser abordadas com sucesso.



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