Negociação e Chantagem Política

Negociação consiste na ação ou efeito de negociar ou entendimento bilateral, enquanto chantagem, consiste na tentativa de extorquir dinheiro ou vantagem sob ameaça de ação que desabone uma das partes, tratando-se na verdade de ação de força, por vezes desabonadoras. Na verdade há vários graus de chantagem, por isso, a linha que a separa da negociação é bastante tênue, levando em consideração o carácter dos atores. Em política esta confusão está muito presente, principalmente estando em jogo interesses em algumas situações pessoais e outras nacionais, dependendo novamente dos atores que compõe a situação.

A República Checa é conhecidamente herdeira do entulho autoritário, isto é, do comunismo soviético; vivenciou uma situação de difícil diferenciação entre a chantagem e a negociação.

Vejamos os fatos: trata-se do último país a assinar o Tratado de Lisboa, que é na prática a constituição da União Europeia. A relutância dos checos decorre ao fato de que este pais desejou colocar uma cláusula no tratado, ausentando-se da jurisição da Carta dos Direitos Fundamentais, por incompatibilidade com sua ordem interna. Na verdade, tentou-se evitar que os treis milhões de alemães expulsos da antiga Checoeslovaquia, no final da segunda guerra, pudessem reclamar propriedades confiscadas por Praga. De forma resumida, trata-se de uma disputa que sempre à última hora, o governo Checo colocava nova condição para a assinatura, atrasando e dificultando a aplicação deste tratado. Considerando que herdou o problema, e que estas terras já estão inclusive em posse de terceiros, a bomba indenizatória acabaria estourando em mãos do governo.

Isto tem um significado muito forte, inclusive envolvendo questões que existem entre nós, devendo persistir por muitos anos a frente, que é a quebra da ordem constitucional. A quebra de contratos, joga o problema para o futuro, que se acumulam e não são resolvidos devido a falta de condições legais, por ruptura da ordem constitucional vigente. No Brasil, grande quantidade de questões no que diz respeito à propriedade privada, estão pendentes. Ficam todos a mercê de grupos que se formam e com extrema habilidade, defendendo bandeiras sociais, exploram estas questões sensíveis. O caso do Pontal do Paranapanema, por exemplo, com vários titulos de posse para a mesma terra, explorados de forma profissional por movimentos sociais, que neste filão, encontra base devido falhas e incongruências do passado. Certo é que por muitos anos à frente, grupos de pressão sociais encontrarão base para sobreviver destas feridas abertas e de difícil solução. A pergunta que se faz é: terão as partes, isto é, movimentos sociais e sociedade, interesse em livrar-se destas feridas ou delas sobreviverem?



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