Por Que Não Houve Entre Nós a Fragmentação ?

A grande pergunta, é por que o Brasil não se fragmentou como a America Espanhola ? De fato, estudos sobre esta importante pergunta são fragmentados e não nos explicam de maneira global. O evento, segundo alguns historiadores, mais importante para que o Brasil não se fragmentasse, foi a vinda de D. João VI com a família real para cá, dando inicio a formação de uma aristocracia, baseada na européia é verdade, mas de qualquer forma um início.

Auguste de Saint-Hilaire, considerava iminente a fragmentação, devido as enormes diferenças entre as províncias, citando o Pará, Pernambuco, Minas e Rio Grande do Sul, isto um ano antes da proclamação da independência. Na década de 1820, o Norte, Nordeste, Centro Sul e Sul, tinham fortes tendências republicanas e independentistas, sendo o grande problema dos grandes proprietários brasileiros,  realizar a independência sem comprometer a escravidão, que era nada mais nada menos que a base da produção e sociedade das provìncias; os choques militares em consequência à luta pela independência, colocariam em risco a submissão dos escravos e a manutenção de seu tráfico, pois sabiam que a guerra levaria ao envolvimento destes, consequente fuga e alistamento nas frentes de guerra. Caso houvesse a fragmentação territorial, aqueles estados que abolissem a escravidão, de certo, acolheriam escravos fugitivos que seriam apoiados pelo abolicionismo inglês.

A independência, foi feita sob influência conservadora e dos grandes escravagistas, afastando os ideários, republicano, separatista e federalista, e com isto, os proprietários brasileiros romperam com o Estado e o absolutismo português, colocando o herdeiro do trono português, se afastando da ex-metrópole e mantendo seus interesses mercantis, permanecendo unidos para garantir por mais sessenta anos, a escravidão.

O comerciante inglês John Armitage, registrou os temores das classes proprietárias, dizendo: “Quaisquer tentativas prematuras para o estabelecimento da república teriam sido seguidas de uma guerra sanguinolenta e duradoura, na qual a parte escrava da população teria empunhado em armas, e a desordem e a destruição teriam assolado a mais bela porção da América Meridional.” O resultado, foi que todas as províncias emergiram da independência sob a égide de uma monarquia centralizadora e autoritária, embalada por interesses negreiros.

O estado nação, foi esboçado no II império e no ciclo nacionalista industrial a partir de 1930.

Vale aqui relembrar um fato da história recente européia: documentos do Foreign Office (Ministério dos Negócios Estrangeiros Inglês), mostram que Mitterrand deu apoio à Margaret Thatcher, veemente opositora da reunificação alemã, dizendo a ela em 1990 que “a Europa não estava preparada para a reunificação da Alemanha e que isto não poderia tornar-se prioritário sobre todo o resto”. (Lembrar que tal foi dito, sobre o espólio da antiga URSS)

Óbvio, que a reunificação alemã ameaçava a hegemonia inglesa na Europa, o que Mitterrand não imaginou, é que a França se uniria a Alemanha reunificada, para liderar a União Européia 20 anos depois. Aquilo que não foi conseguido pela dor, o foi, pelo amor.

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Uma resposta para Por Que Não Houve Entre Nós a Fragmentação ?

  1. Luanda disse:

    Fantástico, uma analise simples e coesa. Parabéns!

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