Reprodução do Sonho
Strumpell coloca algumas dúvidas sobre o rigor da reprodução do sonho: “Acontece que, involuntariamente, a consciência da vigília acrescenta bastante à recordação do sonho: imagina-se ter sonhado toda uma série de coisas que o verdadeiro sonho não continha”.
Jessen é ainda mais peremptório: “Quando se examina e se interpreta sonhos coerentes e ordenados, é preciso ter em conta um aspecto a que até aqui se tem prestado pouca atenção: a sua veracidade não é completa, porque quando recordamos um sonho preenchemos lacunas ou completamos algumas das imagens sem nos apercebermos e sem o desejar. Um sonho coerente raramente o é, e talvez nunca o seja, tanto como na nossa recordação. É quase impossível, mesmo para o mais sincero dos homens, relatar um sonho impressionante sem lhe juntar qualquer complemento ou adorno: a tendência do espírito humano para ver totalidades coerentes é tão intensa que, quando recorda um sonho um pouco incoerente, suprime involuntariamente as respectivas lacunas”.
Spitta pensa de maneira idêntica. Parece admitir que, quando procuramos recordar um sonho, ordenamos, primeiro, os elementos frouxamente associados. “Fazemos de uma. justaposição uma sequência e um encadeamento: acrescentamos ao sonho a ligação lógica que lhe falta”. Que valor poderá então conservar a nossa recordação, se no caso do sonho não dispomos de qualquer controle objetivo sobre a fidelidade da memória e unicamente podemos conhecer o sonho através dessa recordação, subjetiva?”
Jessen é ainda mais peremptório: “Quando se examina e se interpreta sonhos coerentes e ordenados, é preciso ter em conta um aspecto a que até aqui se tem prestado pouca atenção: a sua veracidade não é completa, porque quando recordamos um sonho preenchemos lacunas ou completamos algumas das imagens sem nos apercebermos e sem o desejar. Um sonho coerente raramente o é, e talvez nunca o seja, tanto como na nossa recordação. É quase impossível, mesmo para o mais sincero dos homens, relatar um sonho impressionante sem lhe juntar qualquer complemento ou adorno: a tendência do espírito humano para ver totalidades coerentes é tão intensa que, quando recorda um sonho um pouco incoerente, suprime involuntariamente as respectivas lacunas”.
Spitta pensa de maneira idêntica. Parece admitir que, quando procuramos recordar um sonho, ordenamos, primeiro, os elementos frouxamente associados. “Fazemos de uma. justaposição uma sequência e um encadeamento: acrescentamos ao sonho a ligação lógica que lhe falta”. Que valor poderá então conservar a nossa recordação, se no caso do sonho não dispomos de qualquer controle objetivo sobre a fidelidade da memória e unicamente podemos conhecer o sonho através dessa recordação, subjetiva?”
Freud em ‘A Interpretação dos Sonhos’
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Freud, interpretação, reprodução, sonhos